Thursday, December 18, 2008

VERDADE

Posted by Raphael Vidal at 16:29:11 | Permalink | Comments (1) »

Monday, December 15, 2008

ARARIBÓIA lê MUQUIFO.

Ô boa notícia! Este ano, a turma 1001 da Escola Estadual Dr. Memória, lá de Cubango, terra de Araribóia, estudou os contos aqui do Muquifo nas aulas de literatura. A professora é a dedicadíssima Fernanda Santos. É só clicar aí no nome dela para conhecer seu blog. Parece que me apelidaram de “Malabarista da pontuação.” Dizem que coloco as vírgulas para rebolar… Tsc. Tsc. Tsc.

A formatura foi essa semana,


PARABÉNS! Vocês merecem.

E aqui vai meu agradecimento, certo?

Posted by Raphael Vidal at 23:21:19 | Permalink | Comments (2)

Saturday, December 13, 2008

TEMPERADA

Temperada
                      Raphael Vidal
          


 

— Açafrão, cominho, erva-doce, pimenta-malagueta, hortelã e gengibre.

 

Fiz uma caridade, pedi penico, não posso? A quizumba toda a acontecer no bote, assumindo risco. Ia passar logo o sabonete, pois que disso meto os peitos, mas era barra suja, amarelei, não que fosse abrir, dar uma moleza assim, é que sou boca de siri, gosto de brisa mas assumo a bufa, vai que no dito cujo acabo que meto de esquerda e o linha de frente resolve limpar-se? Tem uma cambada dando pinta por aí, querendo ouvir o canto da sereia. Então fiquei esperta, esqueci. Era dia de Cristo e a lagartixa sabe em que pau bate a cabeça. Vida de rua, é isso. Essa coisa toda, uma referência, que seja.

 

— Cheiro verde, salsa, coentro.

 

Dia vai, dia vem, uma vez acerto no grupo, enrosco e quebro a banca, defino a situação, meto o pé, tomo um rumo. O camelo dezena trinta e um demora, mas o sustento é longo. Assim é vida de marajá, fim-de-semana blau-blau, sem correria, chapéu e hora de almoço. Bolso esperando, a bufunfa no esquema, semana que vem acerta, estufa o peito e, embora ainda sem garantias, já vive contente, curtindo o que merece. Pra mim não acabou. Alguma coisa tem que esperar, ficar pra trás. É decidido, fim de ponto.

 

— Cebolinha, pimenta-do-reino, manjericão e alecrim.

 

Então, faço a pimenta, calabresa, pimentão, malagueta, regadas com azeite, uns dentes, de alho, sem casca, liso, com cebolinhas, salsa, manjericão, ou não, depende, quem sabe? Uso aquele pote, de palmito, milho verde, o vinagre, sal, deixo curar, o gosto, com o tempo, a ardência, a fortificância, veja, pra comer com macarrão, farofa, carne assada, mal passada, batata, aquela malvada. Haja barriga. Corto a cebola, picada, quadrada, tanto faz, pétalas, já viu, assim? Refogo, tempero, pego ali e aqui, cheiro verde, cominho. Depois, arrepio, assobio, desarrumo, finalizo. Decreto feriado, amanhã é sábado. Ele que se arrume, dê seu jeito, vá sambar.

 

— Orégano, páprica, aipo, alho, alfavaca.

 

Não é mole, não é mole. Essa rua, quando chove. Nêgo confia. A gente olha, prega, reza, faz o cacete, não deixa por pouca miséria. E fica essa lama, o esgoto, o bafo do lafranhudo. Não sente? Eu que sofro, assumo. Fico aqui, vê? Vou misturando, socando, cortando, separando. Coisa pouca, que pra mim já basta, sou eu sozinha. E Deus, nosso. Não voto mais, certo? Uma conversa mole, um papo gostoso, tal, tal, tal, necas de pitibiriba. Pra mim o que importa é não sujar o pé. E meus temperos. Outro lance, vocês acham que essa caída, esse treme-treme meio leva e traz, é coisa do outro mundo? Quem disse que crente não dá seus pulos? Onde está escrito? Pra isso existe perdão, pra pedir. Gosto de um bole-bole, de um escorrega, vou falar. Aquele esfrega, um suadouro, o tiroteio comendo solto. Eu me jogo. Sem culpa. Depois me ajoelho, imploro, canto, evoco, aleluia. Tiro e queda. Cada um por si, Deus por todos. Tenho religião pra quê? Vou lá pagar, dar meu trocado, aquele contado, e não levo nada? É igual comida. A gente disfarça com tempero. Até titica fica boa bem temperada, veja só. Olha aí, do lado do louro, a bíblia. Penso besteira, faço e desfaço, pego, leio um versículo, pequeno, lorota, sapequei, a fila anda. Eu preciso sacudir! Sou velha, mas não morri, dou meus caldos. Pergunta, ele gosta. Igreja é pra gente viva, que está assim, lá no fundo, no merderê. Se fosse todo mundo santo não existia. Fico aqui o dia inteiro nas misturas, sei bem separar. Já chega. O doutor vai levar mais alguma coisa?

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Tuesday, December 9, 2008

JUÇARA

Juçara
                          Raphael Vidal

 

“Aquela madrugada deu em nada, deu em muito, deu em Sol.”
[Vale Quanto Pesa | Luiz Melodia]

 

Não larga os guarda-chuvas. Automáticos, manuais, médios, femininos, super-minis com embalagens, automáticos dobráveis e os de cabo curvo longo, aos tantos. E não há nuvens. Só mais uma madrugada, escura, abafada. Ela caminha para casa. Largo, grande, sincero, o sorriso chegará antes. Os dentes brilham. Seu rosto é de uma clareza, boniteza, estranheza. Vem, chega, toma seu espaço. Antes, como uma parada, descanso, pausa pra respirar, relaxar os calcanhares, encontra o vício. Lá, conversa, faz amizade, vive. Gosta de música e tudo o mais.

 

— Uma mulher não deve vacilar.

 

Eu vou fazer cinqüenta e minha festa vai ser aqui. Eu quero fazer. Meu irmão se chama Luiz. Coisa linda, coisa linda, coisa linda. Antes de chegar eu tive que sair. Eu saí, eu fui, nem sei, mas fui e voltei. Eu viajei e voltei agora. Muitos anos. Não me importa se é branco ou preto. O importante é aonde chega qualquer um. Nem vem de conversa fiada comigo não. Pra mim, se me der um tiro de canhão, eu levanto depois. Nasci na Praça Mauá e fui transportada pra Baixada. Sou carioca. Hoje moro no Estácio. Vou andando isso tudo. Uma reta. Minha raiz é aqui, vou morrer aqui, nesse merderê. Ainda bem que amanhã não é segunda, é quinta e eu tenho um compromisso sério. São esses problemas de linguagem, morena, tropicana, melodia. Quando você não consegue uma noite agradável, você está perdida, é ou não é? O olhar da rua que é importante. O olhar, o olhar, o olhar da rua. Essa poesia dos ventos.

 

— Uma moça sem mancada.

 

Todos estão ali no mesmo sofrimento, fugindo dos mesmos erros, correndo das próprias escolhas. Quando canta, a mulher cheia de espinhos, voz aguda, faz alegria. Os copos se enchem e ela mergulha. Encarna, incorpora, mistifica. Avisa, aconselha, indica, tudo pela música. No bar, no balcão, na mesma mesa, os perdidos, desajustados, desregrados, amargurados, encantam-se. Naquela noite, em cada sorriso há aquele brilho dos dentes pra fora, de quem sabe uma ou duas coisas da vida.

Posted by Raphael Vidal at 23:18:18 | Permalink | Comments (2)

Temperado.

Açafrão, Aipo, Alcaparra, Alecrim, Alho Poró, Alfavaca, Canela, Cebolinha, Cheiro Verde, Cebola, Coentro, Cominho, Cravo, Curcuma, Curry, Erva-doce, Estragão, Gengibre, Hortelã, Louro Manjericão, Mostarda, Noz-moscada, Orégano, Páprica, Pimenta Calabresa, Pimenta-de-cheiro, pimenta-do-reino, pimenta-malagueta, salsa, tomilho.

Começando três novos contos: Juçara, Açafrão e Livramento.

Aguardem…

Posted by Raphael Vidal at 13:01:02 | Permalink | No Comments »