QUECÉ

Quecé
Raphael Vidal
A gente se diverte com as erradas. Tudo brincadeira, zoação, peteleco. Por isso, não presto. Danço. Sou peixe e aqui tudo é tráfico. Isso, sinuca, Caracu, caiu as fichinhas? Fica esperta. A madrugada um dia te cobra e créu, velocidade cinco. Acende o farol. Vai e fica, enguiça. Malandro não existe, aqui na Mauá é todo mundo torto. Otário com sorte. Já fui, mas o exercício é outro. Não sofra por antecedência. Trocar o óleo a gente só faz por sentimento, calor humano. Tem que ser boa em pam, pam, tim, pam, pam. Um cartão de visita, uma boa entrada pra esse inferno gostoso, quentinho. Começa sempre do início, sete é conta de mentiroso. Aperta um aqui, pra relaxar, vai na freqüência, aquele ponto. Em pouco você está vendida, algemada, salmo 57 pro lixo. É hora, é hora. E só tenho vinte e um, federal.
— Fico mais ligado que televisão de rodoviária.
Enquanto não acha a certa, federal, esse furdunço engomado te leva. A mesa inclinada, a bola sete na caçapa e é a vez de Quecé. Acabou, jogo zerado. Nem adianta pedir penico. Aqui é ferro quente na boneca. Vamos todos seguindo por misericórdia. Você vê outro motivo? Sua presença está mais por fora que umbigo de vedete. Se perca. Tenho cinco meninas por aí. Filhas criadas. Cafetão é entrada pro fim. O diabo que te carregue! Sou um tipo, investidor, empresário, aposto alto, jogo limpo. A última que se meteu, cheia de firula, até agora bebe jurubeba quatro vezes ao dia. Quem tem medo de cagar não come. Isso aqui não é lugar de gente. Eu sinto muito. O resto é número, zero à esquerda.
— Quem entra pela saída não sabe de onde veio.
Vaza. Se adianta. Parte. Pica mula. Mia pra trás. Tá ligada, federal? Um mundinho esquecido. Só sombra e escuridão. Corre que dá tempo de pegar o 225. Sei tuas origens. Amanhã jogo na milhar. Vai dar porco e a carne é por conta. Viro rei nessa situação. Inverto as posições. Xis vira Zê. Nem adianta voltar. Aqui o tempo é outro. Mais rápido que seu desejo de faturar com o rebolado. Penduro aqui seu misto-quente, a conta é do papai. Caminhe com seu merderê. E não adianta ficar jururu, galinha que acompanha pato, morre afogada.
Galinha que acompanha pato morre afogada!
tá ligadoo !! Mt bom !
Gosto dessa literatura com cheiro de sarjeta e gosto de sardinha frita. Bom texto, Vidal!
http://valacomum.wordpress.com/
Olá Vidal, até que enfim você voltou a produzir Da-lhe! Muquifo neles!
Pam pam ti pam pam!
o bagulho não tem explicação
cada qual com seu quinhão
cada qual com seu merderê
dá-lhe rio de janeiro
como aqui não tem igual
é pam, é tim, é pam pam ahhh